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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Baú 2003


Não há fome que não dê em factura.

Sexta




Dada a gravidade da situação, não é possível realizar desde já a operação de separação dos gémeos siameses José e Pedro, considera Professor Gentil Martins.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Baú 2003




A seguir a um dia de descanso, não se devia trabalhar.

SôZé





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- Essa é linda, SôDalai.
- Quem, a Inês de Medeiros?
- Não, a Inês de Medeiros com o busto talhado em pedra - lapidar. 
- Gosta dela, é?
- Gosto. Tem imenso valor para todos nós.
- Imenso. 100.000 euros em quatro anos, parece.
- Além de que seria a primeira vez que uma filha do maestro teria busto.
- Isso.
- Mas por falar em embustes, ouviu os discursos de ontem do 25 de Abril?
- Ouvi há três anos, só para relembrar. Aquilo, como sabe, foi gravado há muitos anos.
- Já desconfiava. Menos o do Aguiar Branco, claro.
- Sim, um discurso dum ex-candidato a ex-candidato dum partido burguês a citar dum fôlego o cravo, Sérgio Godinho, Lenine e Rosa Luxemburgo, talvez não
fosse todo pré-gravado.
- O cravo, mas bem temperado.
- A indispensável excepção que confirma a regra. Aliás, o Aguiar Branco, vê-se que tem vocação de contra-regra.
- O Sérgio Godinho é que não deve ter gostado.
- De certeza que não. Uma vez citei o «Espalhem a notícia» num blogue e ele deixou-me um comentário indignado na caixa de comentários.
- Ele mesmo? Não seria um anónimo?
- Não acredito. O comentário anterior era do Daniel de Oliveira, na mesma linha, e nenhum anónimo consegue citar Daniel de Oliveira e Sérgio Godinho no
mesmo post.
- Bom, como vimos, há anónimos capazes de citar Sérgio Godinho, Lenine e Rosa Luxemburgo no mesmo discurso.
- Também é verdade.
- Mas adiante. Não lhe faz confusão, eles sacarem despudoradamente, e depois fazerem aqueles discursos inflamados a favor da liberdade e do
bem-estar dos velhinhos? Dá a sensação de que acreditam naquilo.
- E acreditam. Ou já acreditaram. Ou acreditam que já acreditaram. O tipo da Justiça, quando pediu a palavra contra o Tomás, tinha de acreditar.
- Mas agora, acreditam, ou não?
- Não se põem a questão. Entraram na rotina. São como a avó dum amigo meu que assaltava bancos.
- O SôDalai tem um amigo que assaltava bancos?
- Não, a avó.
- O seu amigo assaltava a avó? Isso já é mais normal.
- Não, SôZé. A avó assaltava, não o meu amigo.
- Só os outros?
- Os outros o quê, SôZé?
- Só assaltava os outros, não o seu amigo?
- A avó do meu amigo assaltava toda a gente menos o neto, o neto não assaltava ninguém, nomeadamente a avó.
- Ah, bom. Prossiga, por favor.
- Depois ia para o saloon com as amigas comemorar, estoirava o saque em póquer, embebedavam-se todas, e quando o dinheiro acabava, ia para casa, aquecia
a água para a botija, bebia um copo de leite morno, adormecia, e no dia seguinte começava tudo de novo.
- O SôDalai sabe tanta coisa, SôDalai.
- Toda a gente sabe, só que não acredita.
- Acredito.
- E desconfio que não acreditam sequer em metade do que eu digo.
- Coitados.
- Coitados indeed.

Segunda




Inês Medeiros proposta para símbolo da República.