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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Crónicas Agudas



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Imagens de Arquivo

Logo à noite, não vou ver o Telejornal. Primeiro, porque já não me lembro de como se liga a televisão. Depois, porque já vi a reportagem que vai dar logo sobre as inundações em Lisboa e no Porto. Já a vi, mais precisamente, há quinze  anos. Isso. Aquilo são imagens de arquivo de há quinze anos. Na altura, filmaram 236 populares e 2360 planos que ainda hoje são usados, sem necessidade de repetir. É como o Pátio das Cantigas, mas em molhado. Quem diz inundações, diz tudo o resto. Casa mortuária. Temos de ter uma, porque vive cá muita gente. Portagens. Acho mal, que não há via alternativa. Feira do Sexo. Vimos cá os dois para aumentar a criatividade da nossa relação. Incêndios. A gente chamámos os bombeiros mas eles demorarem dez minutos e isto ardeu tudo, e agora não sei como é que vai ser. Orçamento. Esperamos que o governo/oposição esteja à altura da responsabilidade, em face da grave crise com que o país se vê confrontado.

Será que estamos a viver no Matrix? Será que isto é tudo uma ilusão, incluindo o Medina Carreira? Será que se fintarmos os seguranças e espetarmos uma valente joelhada  nas zonas ocultas do PM, e não me refiro ao Freeport, não acontece nada, faz-se rewind e pronto? Será por isso que não há meio de ele se ir embora? Não, isto é um país em replay. Algures na Alemanha, na régie, alguém desligou isto e pôs um cartão filmado a dizer «Pedimos desculpa por esta interrupção, a emissão não segue dentro de momentos.» Enfia a cassete do Missão Impossível e lá vamos vendo, vindo, jogando, conversando, viajando, discutindo, especulando, debatendo, criticando, ironizando, assistindo, cantando e rindo. Mesmas ideias, mesmas pessoas, mesmos talk-shows, mesmos cães de raça, mesmos cães de caça, mesmos canalhas, mesmos inocentes, mesmos canalhas inocentados, mesmas rotundas, mesmas magrosas, mesmas socialites, mesmas flash interviews, mesmos spreads, mesmos livros, mesmos chats, mesmos chatos, mesmos desastres naturais, mesmos conservantes, mesmos aromatizantes. Chega. Hoje, à hora do Telejornal, vou para a cama. Fecho a persiana até não haver uma única racha, enfio-me nos cobertores e ponho-me a sonhar. A ver se acontece alguma coisa.

Sexta



Estremeci quando ela sugeriu que era melhor deixarmos de nos ver. Ela era, afinal, minha oftalmologista.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Baú



«Fénix!» – Assador de frangos, ao ver um frango sem cabeça erguer­‑se das brasas e levantar voo

Quinta


«Paciência de português» - Expressão idiomática chinesa


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Baú



Cavaco desfaz tabu a seguir às presidenciais.

Quarta



Acordo para o Orçamento alcançado. Banana assegura IVA reduzido.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Campanha


7 anos de Dalai à borla.
Agora chegou a factura.
E se tivesse de pagar para ler o Dalai? Melhor ainda, se não tivesse, mas quisesse?
Agora pode. Agora pode oferecer o que não paga todos os dias para ler os PDL, ou um pouco mais, ou muitíssimo mais.
A quem? Podia ser a tanta gente. Mas o Dalai gostaria de propor o
Refúgio Aboim Ascensão http://www.refugio.pt/
O Dalai conhece bem de perto esta obra única que, sob a batuta do seu Presidente Dr. Luís Villas Boas, cuida dos meninos que começam a vida desamparados até se lhes arranjar um Pai e uma Mãe para o resto da vida. São 100, e imensamente bem tratados, mas poderiam ser ainda mais, e ainda mais bem tratados.
O Dalai tem a felicidade de ter na DalaiLista muitíssima gente, e gente muito boa. Gente anónima como o Dalai, mas também gente que pelo seu valor e mérito ocupa posições de enorme destaque na cultura, na ciência, no desporto, na política deste país. Que tal cada um pôr os seus talentos ao serviço destas crianças?
Não tem nada de mais:
Fale bem do Refúgio pelo menos uma vez por dia.
Faça lobby pelo Refúgio uma vez por semana.
Dê um contributo financeiro ao Refúgio uma vez por ano.
Adopte o Refúgio sempre.
O Dalai agradece.

Pormenores sobre donativos, incluindo dedução no IRS:
NIB: 0033 0000 0004 7872 7020 5
IBAN: PT50 0033 0000 0004 7872 7020 5
SWIFT CODE: BCOMPTPL
Banco: Millennium bcp

Terça



A minha ex-mulher é como um homem para mim.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Baú



A bota é a arma do povo.

Segunda



«El Presidente Chavez y yo somos hijos de la misma madre.» - PM

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Baú



Em Itália, a direita é sinistra.

Crónicas Agudas do Baú



Polícias


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Hoje vou falar do aumento da tensão nas forças da ordem.
Eu gosto de polícias. Primeiro, estão cada vez mais simpáticos e apresentáveis, embora eu tenha saudades dos da minha infância, de barrigão e bigodaça (recordo com especial ternura o Cara-de-Bébé e o Barriga-de-Areia). Depois, porque têm imensa graça quando ficam tensos ao serem apanhados em falso. Outro dia, por exemplo, quis tirar o carro e estava bloqueado por outro. Um clássico tuga. Só que desta vez era a polícia. Esfreguei as mãos de contente, antes de as aplicar a fundo sobre a buzina. Esperei um pedaço, e de repente salta da porta em frente, esbaforida, a polícia. Ou, mais precisamente, uma mulher-polícia. Para além da farda, percebia-se que o era pelo ar de culpada, ao contrário do tuga vulgaris que vem com toda a calma. Até senti pena quando mandei a frechada, com requintes de malvadez: «Isto é o que se chama ter de chamar a polícia!» Por um momento fugaz, riu-se, mas rapidamente retomou o domínio de si, envergonhada por extravasar emoção junto de um humano. Pediu desculpa entre dentes, e levantou âncora.
A outra história ainda é melhor. Uma colega de pé pesado levava-me uma vez de boleia num fim de sexta de inverno e vendaval, na tentativa impossível de resgatar a minha mota da oficina antes das sete. Generosa como era, até no buço, arrancou em primeira a fundo ao abrir o semáforo do lado, que não o nosso. Fomos logo parados pelo guarda que coadjuvava as luzes. Comecei logo a dar música, que é sabido amansar as feras, até ao finale con brio: «Nós somos colegas, sabe? E ela nunca arranca no vermelho, foi só para me ajudar a chegar a tempo.» Os céus abriram-se, um sorriso aflorou aos lábios do agente, e aos da gente, e deixou-nos seguir. Mas ainda me perguntou, com ar cúmplice, se assim me posso exprimir: «O colega em que esquadra é que está?» Quando lhe expliquei de quem é que eu era colega, dela, que não dele, foi-se o sorriso, e o rosto ficou mais tenso que os cabos da ponte sobre o Tejo. E foi lindo. Nunca mais hei-de esquecer aquele rosto próximo da apoplexia.
Gosto muito de polícias, especialmente quando os apanho com a boca na botija.

SôZé



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- E as negociações para o orçamento, SôDalai?


– Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, parece uma cimeira de Pais Natal.


– Mal não pode vir daí, não acha?


– O problema é o fdp do Grinch que está por detrás do Teixeira dos Santos.


– Mas no fim o Natal triunfa sempre, não é, Sô Dalai?


– Pois, mais subsídio de Natal, menos subsídio de Natal…


- Por falar em Natal, como é que está o tempo?


– Ontem foram 21, hoje são 22.


– Não, referia-me ao tempo.


– Ah, o tempo. Ontem foram 22, hoje são 21.


Sexta


Estudantes liceais franceses em luta contra o adiamento da reforma para os 62 anos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Baú



Quem somos, donde vimos, onde vamos hoje à noite?